Marcelo de Barrosa

Marcelo de Barros
Diretor Artístico

 

Montagens Teatrais
Judas Iscariotes e sua reencarnação como Joana d´Arc
Baseando-se na reencarnação como meio de evolução da alma, o diretor e autor Marcelo de Barros faz uma analogia entre a vida de Judas Iscariotes e a francesa Joana d´Arc, heroína histórica que defendeu a França no séc. XV, por ordens de guias espirituais. Judas após cometer suicídio e sofrer no Vale dos Suicidas, tem a chance e reencarna como uma general, tendo que sofrer as humilhações e a traição de seu próprio rei. O grupo CTAD, apresenta um belo espetáculo de muita ação e emoção que surpreende a toda platéia.
 
Madame Satã
A peça é escrita e dirigida por Marcelo de Barros, e conta a história de João Francisco dos Santos, um nordestino analfabeto, homossexual, bom de briga, que luta para se defender da diferença. Tem no seu currículo mais de 5 assassinatos e 3 mil brigas. Trocado pelos pais quando criança, por uma égua, chegou a ser escravizado em Pernambuco. Dotado de uma índole irônica e extrovertida, em 1938 no Rio de Janeiro, na época conhecido como Caranguejo da Praia das Virtudes, ao participar de um concurso carnavalesco, surgiu seu apelido: Madame Satã. O transformista se apresentou com a fantasia Madame Satã, inspirada em filme homônimo de Cecil B. DeMille. Sua vida foi repleta de histórias e aventuras que junto com a história da Lapa do Rio de Janeiro torana a obra muito interessante e divertida.
 
Rei Arthur
A peça escrita e dirigida pelo diretor Marcelo de Barros, tem como cenário a Inglaterra, fala sobre a esperança do povo Bretão em encontrar o Rei que retirará a espada cravada em uma pedra, eis então que aparece Arthur com toda fé e humildade, e retira a espada. É o escolhido por Deus para salvar seu povo. Arthur é então consagrado rei, casando-se por direito com Guinevere, conquistando a aprovação de Merlin, mas provocando inveja da feiticeira Morgana. Em uma luta mágica, Merlin e Morgana vão decidir o futuro do povo da Inglaterra sob o perigo do ambicioso e apaixonado Lancelot, capaz de qualquer coisa para conseguir o amor de Guinevere.
 
O Noviço
Uma das poucas peças de Martins Pena em três atos, O noviço gira em torno da deslealdade de Ambrósio, que se casa por interesse com Florência, rica viúva, mãe da jovem Emília, do menino Juca e tutora do sobrinho Carlos, este o personagem principal da peça. O vilão Ambrósio já havia convencido a mulher a colocar Carlos (o noviço) em um seminário. Agora, quer também internar Emília em um convento, pois ela se encontra em idade de casar e teria de receber um dote significativo da mãe. Igual destino aguarda o menino que deve se tornarfrade. Assim, Ambrósio ficaria com toda a fortuna de Florência.
 
A mulher sem pecado

Primeira peça teatral de Nelson Rodrigues, escritor polêmico por suas frases. Um dos ícones como escritor teatral brasileiro, determinando um novo período do teatro brasileiro nacional com suas palavras cotidianas e abordando temas da família e da sociedade.Fundamentalmente sua obra apresenta fatores puramente humanos, revelando seus medos, angustias e anseios. O drama de Olegário, personagem protagonista, faz-se doente na obsessão de ser traído pela mulher.

A vozes internas de Olegário são faladas pelos atores e acompanhadas por musicas tocadas e compostas por alunos da Escola de Musica Villa-Lobos. A direção segue uma linha assimétrica separando o palco em duas dimensões, onde os atores dividem também os estilos de interpretação dramática: a stanislavskiana e a brechtiana.

 
Navalha na Carne

No desejo de encenar no cenário mais realista possível, o diretor Marcelo de Barros escolheu um hotel, no centro da cidade do Rio de Janeiro, para realizar a produção e a concepção do texto Navalha na Carne, de Plínio Marcos, com o objetivo de transportar os espectadores para um quarto de hotel e ao mundo das prostitutas e homossexuais existentes na cidade. O público será limitado ao espaço da cena. Atores terão a experiência viva e o contato direto com os personagens de sua trama e isso trará mais realismo e mais catarse no processo teatral.

Ato único com três personagens, Vado um cáften, Neusa Sueli, uma velha prostituta e Veludo um empregado homossexual. O texto se desenvolve quando Vado percebe que Neusa Sueli não deixou dinheiro como de costume. Confirmado que o dinheiro foi deixado em cima do criado mudo, a suspeita de que alguém pegou o dinheiro cai sobre o homossexual Veludo que é chamado no quarto, onde Vado o interroga e faz perguntas de maneira mais sórdida. Nesse ambiente são expostas as pobrezas humanas de três personagens reais que sobrevivem na margem da sociedade. Arte e Consciência social No início de cada apresentação serão distribuídos ao público preservativos. Vemos nesta iniciativa uma forma de campanha de prevenção contra o HIV, as doenças sexualmente transmissíveis e a gravidez precoce. Estaremos assim, exercendo nossa responsabilidade social por meio de uma ação simples, porém eficaz.

 
Fragmentos de Mulher

Espetáculo montado especialmente para o gênero do espaço cultural Cedim, Conselho Estadual dos Direitos da Mulher. Texto de Marcelo de Barros. O texto tem o objetivo de sublinhar personalidades brasileiras em monólogos representados pela cia em uma montagem que mistura texto, ritmo, expressão corporal e movimentos cênicos com signos teatrais.

O espetáculo é biográfico da vida das cinco personalidades brasileiras escolhidas. A primeira cena surpreende o espectador, quando é apresentado um homem que está preso e prestes a ser degolado na guilhotina por punição de seu crime, não revelado.

A segunda cena conta a vida de Leila Diniz, uma jovem atriz que defendia a liberdade sexual em plena ditadura militar onde virou nome de lei para a proibição de falar palavrões em emissoras de comunicação.

Patrícia Galvão, conhecida como Pagu, jovem ativista comunista que lutou contra a ditadura militar e revolucionou a maneira da mulher se posicionar perante a política a cultura e a nação. No fim de sua vida se dedicou ao teatro como forma de manifestação social.

Elis Regina, considerada por muitos a maior cantora do Brasil, seu gênero forte e sua personalidade extremista lhe reservou vários comentários de antipatia dos amigos e da mídia da época. Saiu de uma vida simples para ser tornar uma estrela brilhante nos palcos.

Zuzu Angel, mãe de Edgar Angel Jones, estilista da moda nacional, lançou roupas em homenagens ao filho desaparecido e morto pela ditadura militar, engajou sua luta contra o sistema político que matava e abusava das pessoas. Chamou atenção do mundo com sua moda chegando a sucesso nos Estados Unidos e Europa.

Essas foram mulheres brasileiras que serviram como exemplo. Com elas aprendemos, concordamos, discordamos e assumimos uma responsabilidade de conhecer as razões e objetivos de uma vida. Obrigado Leila Diniz, Patrícia Galvão, Elis Regina e Zuzu Angel por contribuir para nossa nação.

 
Valsa n°6
"A peça repousa sobre a palavra trabalhada dramaticamente. Resultou um poema dramático, em que a conclusão do monólogo é poesia. Superou-se o lado discursivo, racional e lógico, para se viajar no território da criação livre, do imponderável e da pureza. Como argumento, o texto respira a matéria frágil. Fragilidade que se confunde com o poético. Logo no início do monólogo, a intérprete chama Sônia: " Quem é Sônia? E onde está Sônia?"

"Sônia está aqui, ali, em toda parte"3 de maneira que a superação da discursividade, do racional e lógico a que alude o crítico, vem desse nome, desse significante movente. Em outras palavras, o corpo que responde quem é Sônia é o mesmo que pergunta, mas o corpo que escuta a voz que o inscreve, em sua corporeidade movente, é o corpo da palavra que vai desdobrar-se nos outros corpos soprados do seu interior, no tecido da peça. É preciso escutar essa língua que não sai mais do organismo, mas do corpo interior, do seu atletismo afetivo como propõe Artaud:
Os desenraizamentos magnéticos do corpo, as escoriações musculares cruéis, as comoções da sensibilidade enterradas que constituem o teatro verdadeiro, não podem andar a par com este. O verdadeiro teatro é muito mais trepidante, é muito mais alienado. Estado espasmódico do coração aberto e que tudo dá àquilo que não existe, e que não é, e nada àquilo que é, e que se vê, que se cerca, onde não se pode ficar e permanecer.
 
 
 
 
 

 

 

 

Espetáculos Montados

Judas Iscariotes e sua reencarnação como Joana d´Arc
Madame Satã
Rei Arthur
O Noviço
A Mulher sem Pecado
Navalha na Carne
Fragmentos de Mulher
Valsa n°6
Othello
Angélica
A Mais Forte
Senhorita Júlia
Minha Sogra é da Polícia
A Menina e o Vestido Vermelho
A casa de Bernarda Alba
Boca de Ouro
O Burguês Fidalgo da Mangueira
As aventuras de Pinóquio
O Pelicano

Carta de dez anos de Companhia escrita pelo diretor Marcelo de Barros
Arte interna do homem criador, o ser criativo da criadora Deusa Falastrões perdidos no tempo, gênios achados no espaço Almas encontradas no mundo vazio e perdido do amor Suor do corpo iluminado de um amor eterno e vivo Sangue caído dos olhos de Joana errada no palco Sorrisos tímidos de um monge apaixonado Amores nascidos e morridos no tablado

Tento passar nessas simples palavras o grande sentimento de amor e dedicação da minha vida por uma arte que faz da minha essência a coisa mais importante e que explode de emoções as minhas veias e artérias, a Cia. Teatro Arte Dramática. Nomes de amigos, nome de paixões, nome de amor, nome de companheiros, nome de militantes... Citá-los? Impossível fazer isso sem cometer uma grande injustiça de esquecer um nome, um rosto, uma vida, um sentimento... e é em nome de todos esses, que um dia se aproximaram de mim, pelo amor ao teatro e pelo desejo de me acompanhar no meu sonho de realizar as peças que fiz durante esses dez anos, que transmito esses pensamentos.

O dia de hoje é mais especial do que meu próprio aniversário do que minha própria vida. Vou me sentir no direito de conjugar o verbo na primeira pessoa. Eu que sempre lutei contra o eu. Esse dia de hoje é meu. Lembro como se fosse hoje a estréia com a peça JOANA DARC na Lona Cultural Hermeto Paschoal em Bangu. Nunca pensei que de lá pra cá se passassem tão rapidamente dez anos no palco, neles aprendi a dedicar minha vida, a viver. Obrigado Santa Joana d´Arc por todo o sentimento de luta e vitória que me ensinaste, que sua espada e seu estandarte da vitória estejam sempre do meu lado e daqueles que formam o meu batalhão, com a graça de Deus. Na luta sempre pela soberania teatral, Deus estará sempre conosco, minha santa!

Quando tudo começou foi assim / Achando o amor na arte fiz beber
Pensei que pudesse queimar e queimei / Matei, assassinei, estuprei e toquei piano / Fiz viver, nascer e renascer novamente / Quantas vezes desejei, foi assim / Querendo brincar a espada ergui / Fiz você sorrir, fiz você sofrer, fiz você temer / Fiz-te santa, te fiz rei, te fiz o que fiz / E hoje dança na mulata do balacochê / Sente na pela a dor da vida do fim / Pensar é possível, ninguém pensa mais / Hoje te faço amor, como um índio / E espero na rede escrevendo mais:

O amor que absorve / A dor que sangra a alma / Que estupra o cérebro / Agoniza o amor que pensa / Sofre a lágrima que desce / Cai no médio o amor puro / Que derruba os muros / Os sonhos profundos / Os desejos secretos / Os russos pequenos / As escrituras sagradas / O mundo externo
A vida futura no centro / O passado esquecido / As dores sangrando / A ferida aberta que escorre / A podridão humana que vem / É o fim do começo e o início do fim / eternamente...

No teatro é onde me aproximo de Deus. Se Deus mora num lugar esse lugar é dentro dos teatros. Neles aprendi a ver a vida nascer e muitas vezes morrer, já sofreriam: Joana d´Arc, Judas Iscariotes, Olegário, Madame Satã, Othello, Desdemona, Senhorita Julia, Sonia e tantos outros personagens...

Muito obrigado pelos dez anos. Que Deus continue ajudando o teatro brasileiro! Amo todos vocês que compartilham nesse momento essa década de trabalho e luta!

Valeu, Cia. Teatro Arte Dramática (1996 - 2006);

Marcelo de Barros