MADAME SATÃ
A apresentação é uma novidade. Primeira obra escrita pelo autor Marcelo de Barros com características Brecthianas.
Anjos, personagens da historia, usam a forma dialética de interpretação para narrar, mesclando com os outros atores da cia, que procuram a forma Stanislavskiana. Método de desenvolvimento e base nas ações físicas, que representa a tendência do trabalho da Cia.
Madame Satã é conhecido como o primeiro travesti da Lapa e o malandro mais respeitado do período. Conviveu com bandidos famosos da época, entre eles, Sete Coras e Camisa Preta, presenciou fatos históricos da Lapa e do Rio de Janeiro, como a famosa briga com o compositor Geraldo Pereira no Restaurante Capela, hoje Nova Capela situado em outro local da Lapa.
O texto faz um estudo que expressa a dificuldade do negro e sua luta de sociabilidade contra o preconceito social e racial, muito presente na sociedade carioca, período ainda nas margens da escravidão brasileira. Madame Satã, ágil e astuto, faz fama como o homossexual mais macho que a malandragem já conheceu, pois não admitia covardia.
Tornou-se assim um grande justiceiro em épocas de muita opressão e desrespeito aos direitos humanos. A peça tem inicio de forma narrativa com dois anjos representando guias, eles contam o nascimento, juventude e a vinda de Madame Satã do astral, para o Rio de Janeiro. Chegando aqui, com apenas seis anos de idade e deixando a cidade de Glória do Goitá no interior de Pernambuco, Satã sofreu e viveu uma infância como menino de rua, fazendo bicos, trabalhando para comer e se vestir.
Quando cresceu ele começou a descobrir que poderia ganhar a vida como travesti, como já tinha descoberto sua opção sexual, dançava nas noites cariocas e ganhava bastante dinheiro. A policia perseguia boêmios e travestis na Lapa e a situação de Satã, conhecido como caranguejo, não era diferente.
Após um bate-boca com o policial Alberto, ele foi para casa, pegou o revolver, e movido pela raiva e pela vida injusta que levava, matou o policial na frente de varias testemunhas, e através desse primeiro crime, ele entrou na verdadeira vida de malandro. Foi preso e libertado. Sua fama na Lapa ia aumentando pela grande resistência e pelas pernadas e tapas que distribuía em soldados e em pessoas que cometiam injustiças.
A fama de homossexual acompanhava sua carreira de malandro, e isso não o impediu de se transformar numa pessoa muito temida no período em que viveu na Lapa. A obra tem musicas de Zequinha de Abreu e Jacob do Bandolim.